Pe. Ari Antonio dos Reis
Renan Paloschi Zanandréa
“Homem fiel e exemplar carpinteiro dedicado
em sua vida de trabalho, São José é nosso modelo”
Hoje a Igreja faz memória de São José Operário, proclamada pelo papa Pio XII, em 1955, no intuito de legar um padroeiro universal aos trabalhadores. Com esta memória litúrgica, também lembramos todos os trabalhadores e trabalhadoras, que como São José, labutam diariamente para sustentar e dar dignidade de vida para suas famílias.
Pelo trabalho, cada ser humano é chamado a colaborar com Deus no aperfeiçoamento da criação, não sendo o trabalho um fardo, mas um caminho para a santificação. Dentre todas as formas de trabalho, cabe destacar aqui, de modo especial, o trabalho que cada fiel leigo desenvolve diariamente em vista do anúncio do Reino. O Concílio Vaticano II lembra que os leigos são chamados a viver sua vocação em meio ao mundo secular, santificando cada uma das realidades em que estão inseridos e, de modo especial, em meio a seu trabalho diário[1]. O Documento de Aparecida, retomando a reflexão da Conferência de Puebla, afirma que são homens da Igreja no coração do mundo e homens do mundo no coração da Igreja[2].
O próprio Jesus, durante a maior parte de sua vida neste mundo, levou uma vida simples, como a maioria das pessoas. Dentre as atividades diárias estava o trabalho manual, submetendo-se a seus pais. Jesus aprendeu de José o ofício de carpinteiro e ajudava o pai no trabalho diário. Pelas atividades cotidianas na carpintaria perpassava o aprendizado para a vida, que fez do Filho de José um homem sensível à realidade do seu povo expressa nos gestos e ensinamentos. Ele aprendeu de José “o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho”[3]. O próprio Deus feito homem trabalhou e isso confere ao trabalho humano uma dignidade muito especial, sendo “uma oportunidade de realização não só para o próprio trabalhador, mas sobretudo para aquele núcleo originário da sociedade que é a família”[4].
Isso ainda indica a importância de garantir trabalho para todas as famílias, dando a cada uma condição de vida digna. Por isso, um dos pilares reflexivos da 6ª Semana Social Brasileira, em diálogo com as preocupações do Papa Francisco, é justamente o trabalho, pela sua importância como meio de inserção social e garantia da construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. As situações de desemprego serão sempre inquietantes, assim como as realidades de trabalho precário, sem um mínimo de segurança para o trabalhador, ou também do trabalho análogo à escravidão, quando além de roubar a força de trabalho, se rouba a dignidade de homens e mulheres submetidos a jornadas exaustivas e outras situações degradantes.
Neste ano de São José, convocado pelo Papa Francisco, somos chamados a “tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica, e do qual o nosso Santo é patrono e exemplo”[5]. Por isso, clamemos ao Senhor: “Ó Deus, criador do universo, que destes aos homens a lei do trabalho, concedei-nos, pelo exemplo e a proteção de São José, cumprir as nossas tarefas e alcançar os prêmios prometidos”[6].
Que todos, e neste dia lembramos especialmente os trabalhadores, possam “encontrar em São José – o homem que passa despercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida – um intercessor, um amparo e um guia nos momentos de dificuldade”[7]. E “Seja qual for o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como para o Senhor” (Cl 3,23).
Referências
CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium: sobre a Igreja (LG). In: CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. Trad. Tipografia Poliglota Vaticana. São Paulo: Paulus, 1997. p. 101-197.
DOCUMENTO DE APARECIDA. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. 3 ed. São Paulo: Paulus; Paulinas; Brasília: Edições CNBB, 2007.
FRANCISCO, Papa. Carta Apostólica Patris Corde. São Paulo: Paulus, 2020.
Imagem por Gerard van Honthorst – Web Gallery of Art: Image Info about artwork, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=15416718
Autores
Pe. Ari Antonio dos Reis
Mestre em Teologia Pastoral (Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção); professor na <a href=”http://itepa.com.br/” target=”_blank” rel=”noreferrer noopener”>Itepa Faculdades</a> nas áreas de Metodologia e Prática Pastoral e Revelação.
Renan Paloschi Zanandréa
Licenciado em Matemática e bacharel em Filosofia (Universidade de Passo Fundo – UPF); bacharelando em Teologia (Itepa faculdades). <a href=”https://www.diocesevacaria.com.br/seminario-nossa-senhora-da-oliveira/”>Seminarista do segundo ano da etapa da Configuração, Diocese de Vacaria/RS.</a>
Notas de rodapé
[1] CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium: sobre a Igreja (LG). In: CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. Trad. Tipografia Poliglota Vaticana. São Paulo: Paulus, 1997. p. 101-197.
[2] DOCUMENTO DE APARECIDA. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. 3 ed. São Paulo: Paulus; Paulinas; Brasília: Edições CNBB, 2007. n. 209.
[3] FRANCISCO, Papa. Carta Apostólica Patris Corde. São Paulo: Paulus, 2020.p. 20.
[4] Id. p. 21.
[5] Id., p. 20.
[6] Oração da Coleta. Memória facultativa de São José Operário.
[7] FRANCISCO, 2020. Op. cit. p. 9.
__
As opiniões expressas no presente artigo, são de total responsabilidade de seus signatários, não expressando a posição oficial da Igreja Particular de Vacaria.